terça-feira, 22 de julho de 2008

Quem sou?





Quem sou eu?

Acredito que ser humano é nunca encontrar essa resposta em toda sua profundadidade, ou mesmo compreender totalmente essa pergunta.

Não sou o que eu faço. Minha profissão é eng. da computação, mas não é o que sou.

Não é o que gosto de fazer. Adoro poesia, mas meus versos não me definem.

Não sou aquilo em que ponho minha fé. Ser católico não é o que sou.

Não sou minhas qualidades ou defeitos, não sou aquilo que tenho ou que deixo de ter, não sou meus sonhos, ou meus desejos...

Quem serei eu então?

Serei talvez aquele sujeito que faz essa pergunta?

Mas as condições mesmas nas quais formulo a pergunta são tais que me escapam, então como poderiam essas me determinar?

O simples olhar auto-reflexivo não alcança jamais seu objeto, vemos fantasmas distorcidos num espelho fragmentado..

O ser humano é para si a possibilidade e a incógnita. Um conjunto de impressões difusas que jamais se integram...

Vivemos na busca...

Talvez seja essa busca que nos defina, ou quem sabe a intuição de que ela tenha um fim.

Talvez apenas talvez, tragamos em algum lugar essa resposta, um lugar escondido, um lugar que ainda não somos capazes de acessar..

Talvez, seja o movimento de viver que torna estranhos a nós mesmos..

Talvez os ponteiros do relógio da vida girem tão rápido, e cada vez mais rápido, que não sejamos capazes de dizer para onde eles apontam...

Quem sabe quando bater a última e eterna badalada poderemos enfim ter a resposta...

ENCONTRA-SE

Entre vozes procuro alguém que fale.
Não basta doutor, precisa ser gente,
dessas humanas. Só que não cale
o falador do que ver pela frente.

Precisa ser porta-voz do olhar
as verdades de cada-todo-dia,
sem medo de ousar enfrentar
o que diz, pensa ou faz maioria.

Fluência no silêncio é fundamental
quando a palavra não puder exprimir
a dor de um pai à porta do hospital
por nunca mais ver seu filho sorrir.

Ler Paulo Freire será um ponto forte,
assim como estar na escola da vida.
Caso tenha experiência com a morte,
pós-graduação não será exigida.

Disponibilidade para viagem
a lugares novos e desconhecidos,
requer escolhas como sua bagagem.
Terá de deixar ideais envelhecidos
pra zarpar rumo à terra da coragem
onde vencer é lutar com os vencidos.

O pagamento será um cheque em branco
a ser sacado no banco da história.
Nele estará impresso tudo quanto
estiver presente em sua memória.

Dúvidas vide realidade em anexo
ou consulte sua consciência.
O mundo será sempre reflexo
de nossa própria aparência.